quarta-feira, 16 de maio de 2018

As Principais Atividades Econômicas de Canavieirás no Final do Século XIX


Lavra de Diamantes no Rio Salobro -
Canavieiras -BA - Colorizado por Regis Silbar


No final do Século XIX, a pequena cidade de Canavieiras, no sul do Estado da Bahia, vivia o melhor de seus sonhos, nadava em dinheiro, tudo resultante de uma feliz conjugação de dois fatores: a cultura do cacau e a lavra de diamantes no Rio Salobro.

Tudo isto rendia muito dinheiro e a cidade se transformou em poucos anos: largas ruas e avenidas, grandes e luxuosas edificações, vastas praças e o surgimento dos primeiros automóveis que trafegavam vagarosamente pelos imensos areais que nesta época tomavam conta da maior parte da cidade.

Do cacau vinha a maior parte da renda dos poderosos coronéis do cacau que mandavam na cidade, colocando a sua força e poder na frente da lei, pois todos os obedeciam e faziam a suas vontades.

Dos diamantes vinham o dinheiro que fazia, como num passe de mágica, as grandes fortunas de alguns, os mais espertos, mas para a grande massa de infelizes que trabalhavam no garimpo à mando desses mais espertos, só restava a resignação de se contentarem com as migalhas que lhes eram oferecidas.

Deste tempo ficou as largas ruas e avenidas, as belas praças, a prefeitura e a antiga cadeira municipal, o conjunto arquitetônico do Cais do Porto e as lembranças que passam de gerações para gerações e que são, realmente, as que mais custam de serem apagadas.    


Colheita do Cacau - Canavieiras-BA - Foto
Colorizada por Regis Silbar

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A Igreja de São Boaventura em Canavieiras e os Seus Vinte Anos de Construção

Igreja de São Boaventura, em Canavieiras,
 logo após a sua conclusão - Foto de autor
 desconhecido - Colorizado por Regis Silbar


Dizem que obra que demora muito é obra de igreja, mas para a Igreja de São Boaventura este ditado não tem validade, pois a obra foi feita muita rapidamente, pois a obra só levou vinte anos para ser concluída, muito diferente de algumas outras igrejas, principalmente as europeias que demoraram centenas de anos.

As obras da construção da Igreja de São Boaventura, começaram em 1912 e terminaram em 1932, quando a igreja foi inaugurada, portanto, foram apenas vinte anos que, em termos de construção de igrejas foi muito pouco tempo.

O terreno para a construção da igreja foi doado pela Prefeitura de Canavieiras, através da Resolução 191, de 8 de julho de 1912 mas, em contrapartida, a antiga igreja deveria ser demolida e, seu terreno, incorporado à Praça da Bandeira.

A Igreja de São Boaventura é uma das mais belas igrejas do sul do Estado da Bahia. Ela foi construída em estilo neogótico em uma época em que a arquitetura da cidade era voltada para construções em estilo art decó, mas valeu a pena, pois hoje em dia ela é uma das principais atrações de Canavieiras.

sábado, 12 de maio de 2018

Como Recuperar o Passado de Canavieiras

Foto Original - Bloco de Senhoras - Carnaval de
1937 - Rua Marechal Deodoro - Canavieiras-BA

A história de Canavieiras, a Princesinha do Sul, é contada e lembrada através de fotografias, mas muitas delas já estão em adiantado estado de deterioração e, nada mais justo que estas fotos sejam recuperadas para que, no futuro, as gerações vindouras possam ver como a nossa cidade era no passado.

Não é fácil recuperar uma fotografia, mas vale a pena, principalmente quando é para uma boa causa, que é a preservação da história da cidade, pois uma foto vale muito mais do que mil palavras.

Foto Recuperada por Regis Silbar  - Bloco
de Senhoras - Carnaval de 1937 - Rua
Marechal Deodoro - Canavieiras-BA

Para recuperar uma foto deteriorada pelo tempo, o primeiro passo é digitalizá-la e depois procurar sanar as rasuras, falhas, amassados, borrões e qualquer imperfeição que esteja presente na fotografia. Depois disto tudo é só ver o resultado.

O terceiro passo é colorir a fotografia, mas com uma coloração compatível com a idade da fotografia. Não vale a pena colorir a foto como se fosse de uma fotografia recente, pois ficaria muito artificial. Veja como ficou o resultado de um trabalho condizente com a idade da fotografia de uma foto do carnaval de rua de 1937, na Rua Marechal Deodoro, em Canavieiras. 

Foto Colorizada por Regis Silbar - Bloco de
Senhoras - Carnaval de 1937 - Rua Marechal
Deodoro - Canavieiras-BA





sábado, 28 de abril de 2018

Rua da Jaqueira, em Canavieiras, a Rua da Felicidade Eterna, Enquanto Durou

Ruínas  do  Bar  Três  Irmãos  no  Térreo  e
da Boate Irajá no Sobrado - Rua da Jaqueira
 - Canavieiras-BA  

A Rua da Jaqueira, em Canavieiras, já teve os seus dias de glória na década de sessenta do século passado, quando a prostituição movimentava os seus cabarés, boates, bares e pensões de alta rotatividade.

Nesta época, Canavieiras ainda vivia do dinheiro abundante das safras de cacau e, este dinheiro, atraía muitas mulheres da cidade e também de outras cidades que almejavam ficar com uma parte dele e, como não sabiam fazer outra coisa, faziam o que todos sabem fazer muito bem: sexo.

A mais famosa boate da Rua da Jaqueira era a Boate Irajá, que ficava em um sobrado de esquina, tendo embaixo do seu piso o Bar Três Irmãos, que vivia principalmente do movimento existente na boate. Eram muitos os clientes, o que gerava um grande lucro para o bar.

Nesta boate as meninas eram meninas de luxo, que trajavam roupas longas e sapatos de saltos altos e, por isto, ela era frequentada por senhores de maior poder aquisitivo, principalmente os filhos dos coronéis, que se iniciam nos prazeres do sexo com as mais experientes e belas moças que exerciam a profissão na cidade.


Antiga  Pensão São Jorge 
que funcionou  na Rua da 
Jaqueira - Canavieiras-BA

Mas nem só de Boate Irajá vivia a Rua da Jaqueira. Naqueles áureos tempos do cacau, havia também outros locais que participavam da farra, como a Pensão São Jorge, que alugava os seus quartos por períodos de uma hora, o suficiente para que o deleite fosse completo.

Também haviam os bares que se espalhavam pela rua, já que na Rua da Jaqueira ficava o Sindicato dos Estivadores com um grande número de associados, pois o Porto Grande, no Rio Pardo, recebia muitos navios para levarem, em seus porões, as cargas de sementes de cacau e outros produtos da cidade que eram exportados.

De noite a alegria era geral, tudo parecia uma festa, com as meninas procurando os seus clientes e os clientes procurando as suas meninas. Tudo durou até acabar a farra do cacau com a aparição da praga da Vassoura de Bruxa, que deixou a cidade sem nenhum dinheiro. 

As meninas foram embora deixando Canavieiras "a ver navios", procurando novos mercados onde o dinheiro não faltasse tanto como estava faltando na cidade. Hoje em dia a Rua da Jaqueira nada lembra o que foi no passado.


Rua da Jaqueira  com as  Ruínas da Boate
 Irajá em Primeiro Plano - Canavieiras-BA
 - Foto de Regis Silbar

Maria da Jaqueira - Rua da Jaqueira - Canavieiras-BA


Rua da Jaqueira - Canavieiras-BA -
Foto de Regis Silbar 


Era uma vez uma moradora da atual Rua Barão de Cotegipe, em Canavieiras, no início do século XX, que se chamava Maria e tinha uma bela e frondosa jaqueira plantada na calçada em frente à janela de sua casa. 

Por causa desta bela e frondosa jaqueira, que dava muitos frutos, ela era conhecida por todos como Maria da Jaqueira, em alusão à grande árvore frutífera que crescia  na calçada em frente à sua residência.

Só tinha um problema, ela não gostava da alcunha e, por isto, em um ataque de fúria, ela contratou uma pessoa para cortar a jaqueira, pois ela pensava que, sem a jaqueira, ela não poderia mais ser chamada de Maria da Jaqueira.

Foi um ledo engano, pois ao cortar a jaqueira, foi deixado um toco com a raiz e, por isto, ela passou a ser conhecida como Maria do Toco, o que aumentou mais ainda a sua ira com o novo apelido. Ela ficava possessa ao ser chamada de Maria do Toco.

Passado um tempo ela mandou tirar o toco juntamente com a raiz que, por ser muito volumosa, deixou na calçada um grande buraco que não foi possível tapar, de imediato, por falta de entulho suficiente para fazer o aterramento completo do local.

Ela ficou feliz, pois agora ninguém a poderia chamá-la Maria do Toco, mas o que ela não previu, é que os vizinhos começariam a chamá-la Maria do Buraco da Jaqueira. Sua fúria aumentou muitas vezes e ela mandou fechar o buraco com bastante terra para que não ficasse nenhuma lembrança do buraco onde estava a raiz da árvore.

Não demorou muito tempo para que ela passasse a ser conhecida como Maria do Buraco Tapado. Ela não sabia mais o que fazer, mas pensou que o antigo apelido, Maria da Jaqueira, não era tão feio assim, em comparação com o último, Maria do Buraco Tapado.

Era a solução: ela plantou novamente uma jaqueira na calçada em frente à sua janela e todos voltaram a chamá-la Maria da Jaqueira e ela ficou muito feliz , não porque a jaqueira fosse uma árvore que dava bons frutos, mas porque ela se livrou do outro apelido, Maria do Buraco Tapado.

Esta é a história da Rua da Jaqueira, em Canavieiras, que logo depois, teve uma movimentada vida noturna, que a deixou muito famosa na cidade.

Hoje, a Rua da Jaqueira se chama Barão de Cotegipe, mas ela ainda é conhecida e lembrada como Rua da Jaqueira, graças à Maria da Jaqueira, uma ilustre personagem do início do século XX.   

Uma Dama da Sociedade nos Primórdios do Século XX em Canavieiras

Luiza  Ribeiro Barbosa  com  15
anos - Foto de 1903 por Nicolau
G. da Silva - Cannavieiras

Canavieiras, no final do século XIX e início do século XX era uma terra onde os famosos coronéis do cacau reinavam absolutos em quase todos os sentidos, suas palavras eram leis e todos, todos mesmo, obedeciam sem hesitação ou ...

Nesta época o luxo imperava na cidade, quase tudo era importado da Europa e nos salões se reuniam as pessoas mais importantes da cidade - os coronéis - com as suas respectivas famílias para usufruírem as delícias da vida.

Nesta cidade - Canavieiras - onde a riqueza e a pobreza viviam lado a lado, se destacavam aqueles que eram os mais ricos, os que tinham mais influência e os que ostentavam a maior riqueza. Tudo era uma forma de poder e tinham aqueles que se destacavam entre todos os demais.

No final do século XIX e início do século XX, a família Ribeiro era uma das mais poderosas da cidade e uma forma de ostentar o poder era através de fotografias, uma raridade em pequenas cidades do Brasil, tanto pelo custo, como também pela ausência de profissionais competentes que exercessem a atividade.

Luiza Ribeiro Barbosa, uma das damas da sociedade canavieirense no início do século XX, ao completar 15 anos, tirou esta foto, devidamente vestida com a última moda de Paris. Esta foto de autoria do fotógrafo Nicolau G. da Silva é um documento raro da época, onde os diamantes e o cacau enriqueceram Canavieiras que, com o dinheiro fácil foram levantados os principais pontos turísticos da cidade: o Cais do Porto, A Prefeitura Municipal e a Cadeia Pública.

domingo, 22 de abril de 2018

A Construção da Igreja de São Boaventura em Canavieiras

Final da Construção da Igreja de 
São Boaventura em Canavieiras

Durante a construção da Igreja de São Boaventura, em Canavieiras, infelizmente, houveram poucas fotos mas, algumas foram feitas e, por sorte, algumas chegaram até aos nossos dias e, por isto, ainda podemos ver, em parte, alguns detalhes da grande obra que foi realizada na década de trinta do século passado.

A construção da igreja foi custeada pelo povo de Canavieiras, principalmente pelos ricos coronéis do cacau que até então, dominavam a economia da cidade, com os fartos lucros que a cultura do fruto dos deuses lhe proporcionavam.

|Não é segredo para ninguém que a igreja, em dinheiro de hoje, custou muitos milhões de reais ou de dólares, dinheiro não faltava, tanto assim que a igreja foi construída em tempo recorde, para a alegria de todos e para a tristeza da antiga igreja, bem mais antiga, do início do século XIX, que foi demolida logo depois, com o beneplácito da arquidiocese de Ilhéus, o que hoje, equilave, para nós, a uma grande perda.

Mas, mesmo com esta grande perda, a nova Igreja de São Boaventura deixou um grande legado, pois é uma das grandes joias da arquitetura neogótica no sul da Bahia, tão bela quanto a do Convento da Soledade em Ilhéus, outra grande cidade do ciclo do cacau.

Quando você for a Canavieiras, a mais conservada cidade do ciclo do cacau do sul da Bahia, não deixe de visitar a Igreja de São Boaventura, uma joia dos maravilhosos tempos em que a riqueza do cacau dominava a cidade de Canavieiras, a cidade onde foi plantado o primeiro pé de cacau da Bahia.

Final da Construção da Igreja de São 
Boaventura em Canavieiras