quarta-feira, 25 de maio de 2016

O Projeto Original da Prefeitura Municipal de Canavieiras




Projeto Original da Prefeitura Municipal de Canavieiras

O projeto original para a construção da Prefeitura Municipal de Canavieiras, que não foi avante por falta de recursos, em razão da drenagem de quase todo o dinheiro de Canavieiras ser para Salvador para sustentar a administração estadual,  foi elaborado pelo arquiteto espanhol Adolfo Morales de los Rios y Garcia, contratado em 1895, e um dos mais respeitados do país nas últimas décadas do século XIX, com obras em diversos estados, inclusive na capital federal, o Rio de Janeiro.

O projeto original do prédio foi elaborado para que o mesmo fosse erguido no mesmo lugar onde ele hoje se encontra, com as mesmas proporções e com algumas diferenças do hoje erguido no mesmo local, sendo a mais relevante a grande cúpula frontal a ser erguida no meio da construção.

O projeto do prédio era de muito bom gosto e, se fosse construído, embelezaria ainda mais o Centro Histórico da cidade, pois a sua beleza chamaria muito mais a atenção dos que passassem pela Praça da Bandeira, um dos mais belos locais do Centro Histórico de Canavieiras.

Contudo, não devemos desprezar o atual prédio da prefeitura que também é muito belo e se harmoniza com as demais construções em seu entorno, fazendo do Centro Histórico de Canavieiras um dos mais belos e conservados de toda a Costa do Cacau e além de tudo, ele é a única Pérola Remanescente da Era do Cacau, quer pela sua conservação, quer pela destruição dos centros históricos das demais cidades.

Projeto Alternativo e Definitivo da Prefeitura Municipal de
Canavieiras - Foto de Regis Silbar









terça-feira, 3 de maio de 2016

Acidentes Navais em Canavieiras

Pesqueiro Dona Paula Naufragando a 22 Km da Barra Sul de
 Canavieiras, Depois de uma Colisão com o Veleiro Tugela -
Foto de Igor Aquino


O primeiro grande acidente naval em Canavieiras, registrado através de documentação, aconteceu em alto mar, quando a draga Imbariê afundou em 22 de julho de 1939, quando era rebocada pelo vapor Osvaldo Aranha, comandado pelo capitão Inocêncio Lopes Vilas Boas, do Porto do Rio de Janeiro para o Porto de Macau no Rio Grande do Norte. O naufrágio foi ocasionado pela entrada de águas pelos buracos deixados pela falta de rebites nas chapas do casco (Fonte: DOU 08-09-1940, Pg. 47).

O segundo acidente naval, este com farta documentação, aconteceu em 1943, quando o Navio Maraú, comandado pelo piloto José Correia Paes Neto, colidiu com o fundo do leito do Rio Pardo, ocasionando abertura no casco e consequente entrada d'água. Depois de muitas tentativas de desencalhe o navio só se safou na madrugada do dia 6 de outubro de 1943, não tendo sido constatado danos sérios na embarcação nem danos e prejuízos aos passageiros e às cargas transportadas (Fontes: Diário da Noite de 11-08-1943 e Diário Carioca de 18-02-1944 - ambos do Rio de Janeiro).

O terceiro acidente aconteceu em alto-mar nas costas de Canavieiras no dia 12 de outubro de 2014, quando o barco pesqueiro Dona Paula foi a pique depois de ter sido abalroado pelo veleiro Tugela, que fugiu sem prestar socorro aos náufragos, que foram recolhidos por pescadores do barco Deus é Fiel (Fonte: www.blogdogusmao.com.br).

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"A Mais Bem Despida" e a Moral das Senhoras de Canavieiras na Década de Cinquenta do Século XX

Cartaz do Filme "A Mais Bem Despida"
de Pierre Faucaud, que Esteve em Cartaz
 no Cine Glória, em Canavieiras, no Final
da Década de Cinquenta 

Era para ser um acontecimento banal, a estréia de um filme de comédia/romance em um cinema de uma típica cidade do interior no final da década de cinquenta do século passado, mas não era. O título do filme em português - A Mais Bem Despida - ouriçou a cidade inteira e o próprio cinema contribuiu para que o ouriçamento fosse maior.

Como só tinha chegado o filme, provavelmente desacompanhado de material publicitário, foi providenciado junto a um desenhista da cidade, a confecção de alguns desenhos de mulheres despidas, em papel ofício, para serem fixados na entrada do cinema e atrair o público para o espetáculo.

Foram feitos desenhos de nu artístico em situações muito bem comportadas e respeitosas, já que o filme era uma comédia em ritmo de romance e não um filme pornográfico, pois naqueles anos ainda não existia este gênero de filme no Brasil.

O filme de origem francesa de 84 minutos, com o título original de "Mademoiselle Strip-Tease", dirigido por Pierre Foucaud, ficaria em cartaz por alguns dias na cidade, como era sempre de costume, já que a cidade dispunha de poucos habitantes e, por isto, era impossível um tempo maior.

O cinema só não contava com uma coisa: a reação moralista de boa parte das senhoras canavieirenses que, ao verem os desenhos na entrada do cinema se sentiram ofendidas e resolveram agir para que os cartazes fossem retirados do saguão do cinema.

Elas conseguiram, pois diversas autoridades da cidade foram envolvidas na questão moralista e contribuíram para este desfecho. Só uma pacata cidade do interior sabe o real valor da moral para que os bons costumes prevaleçam na sociedade. 


Nesta Esquina Funcionou o Cine Gloria,o Melhor Cinema de
Canavieiras, Do Belo Prédio Só Restou as Portas e as Paredes
 do Térreo - Foto de Regis Silbar



quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Cais de Porto de Canavieiras Foi Construído entre 1953 e 1954

Cais do Porto de Canavieiras em Construção - Foto de Autor 
Desconhecido

O Cais do Porto de Canavieiras, com cerca de quatrocentos metros, foi construído entre 1953 e 1954 pelo Construtora Norberto Odebrechct, nesta época com sede na cidade de Salvador, no Estado da Bahia.

A obra foi muito bem feita, pois mesmo depois de várias décadas sem nenhuma grande reforma, ela continua lá, imponente, embelezando as margens do Rio Pardo no centro urbano da cidade, com as suas pedras encardidas pelo tempo. 



Cais do Porto de Canavieiras em Construção
 - Foto de Autor Desconhecido
Hoje, este mesmo cais é alvo da admiração dos turistas que visitam a cidade, sendo retratado em milhares de fotografias que são tiradas todos os anos para que as memórias não sejam apagadas e a felicidade dure para sempre.

É claro que o Cais do Porto de Canavieiras, construído em pedras graníticas, se harmoniza maravilhosamente com as construções do século XIX e início do século XX que emolduram, juntamente com as centenárias  castanheiras-do-maranhão, um ambiente que nos levam a um passado onde o porto fervilhava de embarcações carregadas de cacau.       

Cais do Porto de Canavieiras em 1960 - Foto de Autor Não
Identificado

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O Primeiro Mapa de Canavieiras-BA

Mapa de Canavieiras - Possivelmente o Primeiro - Elaborado pelo
Padre Roberto de Brito Gramacho em 1756 - Documento Público
Extraído do Blog Gramachos no Brasil 

Em 1741, portanto, na primeira metade do século XVIII, foi nomeado para a paróquia da Freguesia de São Boaventura do Poxim, atual Canavieiras, o padre Roberto de Brito Gramacho. Nesta época não só a igreja como a maior parte da população residia na Vila do Poxim, na ilha do mesmo nome, bem próximo da atual sede do município.

Por falta de mapas de uma grande parte do território brasileiro, o rei de Portugal incentivava que mapas fossem elaborados e encaminhados para Lisboa a fim de que fossem reorganizados para a elaboração de um único mapa do território.

Entre as pessoas encarregadas de tal serviço estavam os padres, já que, nesta época, eles estavam em quase todas as cidades e pequenas vilas. Foi nesta situação que o primeiro mapa de Canavieiras foi elaborado, aliás muito bem elaborado, pois embora pequeno, podemos identificar os pequenos e grandes detalhes de seu litoral.

Neste mapa podemos ver, com clareza a Ilha de Canavieiras, a Ilha de Atalaia, o Rio Pardo, o Rio Patipe, as barras dos rios da região. Além disto tudo está muito bem explicado nas anotações numeradas de um a vinte.

Parabéns padre Roberto de Brito Gramacho que, sem saber deixou um grande legado histórico para a cidade de Canavieiras, a Princesinha do Sul, a mais conservada cidade histórica da Costa do Cacau.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O Douglas DC 3, Prefixo PP-PBS, da Panair do Brasil, Acidentado em Canavieiras em 1954

O Douglas DC 3, Prefixo  PP-PBS da Panair do Brasil, Desmontado,
 Sendo Transportado Pelas Ruas de Canavieiras  - Foto de Autor Não
Identificado



Numa quarta-feira em 18 de agosto de 1954, uma aeronave DC 3 da Panair do Brasil, prefixo PP-PBS (cn 11744), fabricada nos Estados Unidos da América pela Douglas Aircraft Company, foi acidentado na cidade de Canavieiras, no sul da Bahia.

Este avião foi desmontado e removido, transitando pelas ruas da cidade completamente desmontado sob os olhares de grande parte da população e foi, para todos, uma novidade única, pois foi a primeira vez que aconteceu este desfile inusitado.

Este desfile não aconteceu meramente por acaso, pois poderia nunca ter acontecido. A sorte foi que Canavieiras foi uma das primeiras cidades planejadas da Bahia e do Brasil e onde as ruas são largas o suficiente para um grande avião passar sem nenhuma dificuldade. E foi isto que aconteceu.

Ele foi construído em 1942 e foi equipado com dois motores Pratt & Whitney R-1820. Primeiramente fez parte da USAF - United States Air Force - (matrícula 42-68820) e depois foi revendido em 1943, para a Panair do Brasil, na época, a maior companhia de aviação Brasileira. Ele foi um dos 23 DC 3 que voaram pela companhia.

Depois de montado e devidamente recuperado, o avião foi novamente usado pela Panair do Brasil. Depois ele foi vendido para a Transportes Aéreos Nacional, onde obteve o prefixo PP-AKI. Algum tempo depois foi passado para a Real Transportes Aéreos e, finalmente, por despacho datado de 17 de novembro de 1966, publicado no DOU em 03-01-1967 (página 93, seção I) o avião foi transferido para a VARIG.

Posteriormente  ele foi vendido para a Força Aérea Equatoriana - FAE 11747 - que, pouco tempo depois o repassou para TAME - Línea Aérea del Ecuador, onde obteve o prefixo HC-AUY. 

Desde 10 de setembro de 1997 o avião repousa no Museo de la Base Aérea Latacunda em Cotopaxi, Equador.

Esta é a pequena história de um avião que um dia foi acidentado, desmontado, desfilou pelas ruas de Canavieiras, tornou a ser usado e que agora repousa solenemente em um museu aeroviário no Equador, um pequeno país sul-americano na costa do Pacífico.  


Douglas DC 3, Prefixo PP-PBS da Panair
 do Brasil no Aeroporto do Rio de Janeiro
 - Foto Garimpada na Internet

domingo, 3 de abril de 2016

O Casario do Porto de Canavieiras Antes da Revitalização do Centro Histórico

Casario do Cais do Porto de Canavieiras Antes da Revitalização
 do Centro Histórico - Décadas de 1980/1990 - Foto de Aliomar
 Guimarães 

O casario estava totalmente quase em ruínas, caindo em pedaços, sem nenhuma utilidade prática para povo canavieirense. Quase não havia comércio no casario, pois o comércio tinha se transferido para a Avenida Rio Branco, quase na saída/entrada da cidade.

Foi assim que ficou por muitos anos o principal lugar do Centro Histórico de Canavieiras, cidade que viveu o seu apogeu no ciclo do cacau e das minas de diamantes do Rio Salobro mas, depois, com o aparecimento da vassoura de bruxa, a cidade entrou em decadência e ficou à beira da pobreza total.

Hoje, uma das principais atividade da cidade está voltada para o turismo e, o Cais do Porto, revitalizado, é uma das grandes atrações, pois ali estão os bares e restaurantes da moda, servindo bebidas e quitutes para os turistas que passeiam pela cidade.