sábado, 25 de junho de 2016

A Cadeia Pública de Canavieiras

Cadeia Pública de Canavieiras - Atual Biblioteca Municipal -
Praça da Bandeira - Foto de Regis Silbar

A Cadeia Pública de Canaveiras é um dos prédios mais emblemáticos e representativos da arquitetura do século XIX de Canavieiras. Ele representa o poder do dinheiro que circulava na cidade nos tempos áureos da cultura do cacau e dos garimpos de diamantes do Rio Salobro.

Atualmente no prédio da Cadeia de Pública de Canavieiras funciona a Biblioteca Municipal Afrânio Peixoto, com um acervo de quase dez mil livros, dos quais, por volta de quase mil foram doados por Regis Silbar no ano de 2010.

Quando você for a Canavieiras não deixe de visitar o prédio da Biblioteca Municipal, na Praça da Bandeira, no Centro Histórico da cidade e não deixe de tirar algumas fotos para guardar de recordação e, quem sabe, um dia voltar para revê-lo outra vez.


Cadeia Pública de Canavieiras à Noite - Atual Biblioteca
Municipal - Praça da Bandeira - Foto de Regis Silbar

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Canavieiras - Um Casarão Através dos Tempos

Casarão  Localizado  na  Antiga  Rua  do  Brejo  -  Hoje
General Pederneiras - Década de Quarenta do Século XX
 - Canavieiras-BA

Canavieiras, a Princesinha do Sul, já teve seus dias de glória nos tempos áureos do cacau e dos diamantes que jaziam no leito do Rio Salobro. Nestes tempos os belos casarões brotavam em suas principais ruas do Centro Histórico, sendo a mais nobre delas a Rua do Brejo, a rua em que viviam as mais abastadas famílias da cidade, chefiadas pelos antigos coronéis do cacau.

Mas o tempo passou, e neste meio-tempo a cidade foi se degradando, diversos casarões foram demolidos e em seu lugar foram construídos prédios em estilo decadente, dignos das mais pobres comunidades do Rio de Janeiro. Outros prédios foram reformados e ficaram diferentes dos projetos originais, mas, no entanto, não ficaram com a aparência favelizada com em outros casos.

Seria necessário que o Poder Público ficasse vigilante para impedir que novos abusos sejam cometidos por pessoas que não se interessam em preservar o passado histórico da cidade para que, no futuro, ela pudesse viver quase que exclusivamente do turismo.  


O Mesmo Imóvel da Foto Acima na Rua do Brejo Reformado
 em Desacordo com o Projeto Original - Canavieiras-BA

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O Parque da Ruínas - Canavieiras-BA

Parque das Ruínas - Cais do Porto - Centro Histórico
 - Canavieiras-BA - Foto de Regis Silbar


O Centro Histórico de Canavieiras, na Costa do Cacau, é cheio de surpresas e, entre estas surpresas está o Parque das  Ruínas: um conjunto arquitetônico com a fachada de antigos prédios que fizeram parte da história da cidade e que hoje, servem apenas para emoldurar a paisagem.

Na parte interior do parque, uma grande área gramada, pontilhada com algumas árvores, completam a tranquilidade do lugar. E é com esta tranquilidade que, do parque, podemos admirar o rio a passar vagarosamente pela Ponte do Lloyd.

Estas ruínas nos fazem lembrar o passado, pois em um dos prédios funcionava o Instituto do Cacau, em outro o Arquivo Municipal da cidade e no último a firma A. de Castro, prédios que um dia tiveram uma intensa vida em seu interior, mas hoje, em seu interior, restam apenas recordações e lembranças.

Visto da Ponte do Lloyd o parque apresenta um visual surpreendente, pois nele há uma grande árvore que projeta, com a sua copa de folhas miúdas, um enorme sombreado que protege do sol todos os que, daquele ponto, admiram os barcos que navegam pelo Rio Pardo.

Quando você for a Canavieiras, não deixe de dar uma passadinha no Parque das Ruínas e, a partir dele, admirar o Rio Pardo e a Ponte do Lloyd.  

Árvore Frondosa que Embeleza o Parque das Ruínas no Centro
 Histórico em Canavieiras - Foto de Regis Silbar 


domingo, 29 de maio de 2016

O Futuro dos Belos Casarões dos Coronéis do Cacau em Canavieiras

Rua do Brejo - Canavieiras-BA - Em Primeiro
 Plano Casarão Onde Funcionou o Cartório da
Rua do Brejo - Foto da Coleção Regis Silbar

O Centro Histórico de Canavieiras, infelizmente, está sendo paulatinamente destruído, com a complacência das autoridades municipais, que não impedem que proprietários de imóveis, sem o menor senso de responsabilidade social, promovam a destruição de prédios históricos para a construção de residências com características típicas de construções levantadas em favelas das grandes cidades.

É um crime contra ao patrimônio da cidade a destruição de imóveis com inegáveis valores artísticos e que marcaram uma época na história da cidade. Também é crime a extrema leniência da administração pública em deixar de punir tais barbaridades, já que tais atos comprometem, de forma definitiva, o conjunto arquitetônico do patrimônio da cidade.

Na foto estampada ao alto, podemos apreciar, em primeiro plano, o prédio onde funcionava o cartório da Rua do Brejo nas décadas de cinquenta e de sessenta do século passado. Era um prédio de linhas simples com a arquitetura característica da fase áurea do cacau, provavelmente mandada construir por um rico coronel. Este imóvel tinha um dos maiores terrenos da Rua do Brejo, o que já indicava uma certa ostentação se compararmos com os imóveis ao redor.

Uma singular peculiaridade deste imóvel era a ausência de portas na fachada principal, que era ocupada apenas por quatro grandes janelas. A entrada para o imóvel era através de uma porta lateral que dava acesso diretamente à sala principal, onde em meados do século passado funcionava um cartório.

Atrás desta preciosidade, em um grande salão, funcionava o Educandário São Boaventura, da professora Florinda Ribeiro Barbosa, também chamada de professora Filuzinha. Era a mais tradicional escola da cidade e era frequentado pelos filhos das pessoas mais abastadas e também por filhos de pessoas sem recursos, bolsistas integrais, dada a generosidade da professora.

Hoje em dia, no lugar deste lindo casarão que contava um pouco da história da cidade, existe uma construção com estilo característico das favelas das grandes metrópoles. É uma pena, pois era uma das mais antigas e diferenciadas construções da Rua do Brejo. Haja coração para tanta destruição.  


O Mesmo Trecho da Rua do Brejo em Canavieiras. O Sobrado
Verde está no Mesmo Local do Casarão Onde Funcionava o
Cartório da Cidade






quarta-feira, 25 de maio de 2016

O Projeto Original da Prefeitura Municipal de Canavieiras




Projeto Original da Prefeitura Municipal de Canavieiras

O projeto original para a construção da Prefeitura Municipal de Canavieiras, que não foi avante por falta de recursos, em razão da drenagem de quase todo o dinheiro de Canavieiras ser para Salvador para sustentar a administração estadual,  foi elaborado pelo arquiteto espanhol Adolfo Morales de los Rios y Garcia, contratado em 1895, e um dos mais respeitados do país nas últimas décadas do século XIX, com obras em diversos estados, inclusive na capital federal, o Rio de Janeiro.

O projeto original do prédio foi elaborado para que o mesmo fosse erguido no mesmo lugar onde ele hoje se encontra, com as mesmas proporções e com algumas diferenças do hoje erguido no mesmo local, sendo a mais relevante a grande cúpula frontal a ser erguida no meio da construção.

O projeto do prédio era de muito bom gosto e, se fosse construído, embelezaria ainda mais o Centro Histórico da cidade, pois a sua beleza chamaria muito mais a atenção dos que passassem pela Praça da Bandeira, um dos mais belos locais do Centro Histórico de Canavieiras.

Contudo, não devemos desprezar o atual prédio da prefeitura que também é muito belo e se harmoniza com as demais construções em seu entorno, fazendo do Centro Histórico de Canavieiras um dos mais belos e conservados de toda a Costa do Cacau e além de tudo, ele é a única Pérola Remanescente da Era do Cacau, quer pela sua conservação, quer pela destruição dos centros históricos das demais cidades.

Projeto Alternativo e Definitivo da Prefeitura Municipal de
Canavieiras - Foto de Regis Silbar









terça-feira, 3 de maio de 2016

Acidentes Navais em Canavieiras

Pesqueiro Dona Paula Naufragando a 22 Km da Barra Sul de
 Canavieiras, Depois de uma Colisão com o Veleiro Tugela -
Foto de Igor Aquino


O primeiro grande acidente naval em Canavieiras, registrado através de documentação, aconteceu em alto mar, quando a draga Imbariê afundou em 22 de julho de 1939, quando era rebocada pelo vapor Osvaldo Aranha, comandado pelo capitão Inocêncio Lopes Vilas Boas, do Porto do Rio de Janeiro para o Porto de Macau no Rio Grande do Norte. O naufrágio foi ocasionado pela entrada de águas pelos buracos deixados pela falta de rebites nas chapas do casco (Fonte: DOU 08-09-1940, Pg. 47).

O segundo acidente naval, este com farta documentação, aconteceu em 1943, quando o Navio Maraú, comandado pelo piloto José Correia Paes Neto, colidiu com o fundo do leito do Rio Pardo, ocasionando abertura no casco e consequente entrada d'água. Depois de muitas tentativas de desencalhe o navio só se safou na madrugada do dia 6 de outubro de 1943, não tendo sido constatado danos sérios na embarcação nem danos e prejuízos aos passageiros e às cargas transportadas (Fontes: Diário da Noite de 11-08-1943 e Diário Carioca de 18-02-1944 - ambos do Rio de Janeiro).

O terceiro acidente aconteceu em alto-mar nas costas de Canavieiras no dia 12 de outubro de 2014, quando o barco pesqueiro Dona Paula foi a pique depois de ter sido abalroado pelo veleiro Tugela, que fugiu sem prestar socorro aos náufragos, que foram recolhidos por pescadores do barco Deus é Fiel (Fonte: www.blogdogusmao.com.br).

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"A Mais Bem Despida" e a Moral das Senhoras de Canavieiras na Década de Cinquenta do Século XX

Cartaz do Filme "A Mais Bem Despida"
de Pierre Faucaud, que Esteve em Cartaz
 no Cine Glória, em Canavieiras, no Final
da Década de Cinquenta 

Era para ser um acontecimento banal, a estréia de um filme de comédia/romance em um cinema de uma típica cidade do interior no final da década de cinquenta do século passado, mas não era. O título do filme em português - A Mais Bem Despida - ouriçou a cidade inteira e o próprio cinema contribuiu para que o ouriçamento fosse maior.

Como só tinha chegado o filme, provavelmente desacompanhado de material publicitário, foi providenciado junto a um desenhista da cidade, a confecção de alguns desenhos de mulheres despidas, em papel ofício, para serem fixados na entrada do cinema e atrair o público para o espetáculo.

Foram feitos desenhos de nu artístico em situações muito bem comportadas e respeitosas, já que o filme era uma comédia em ritmo de romance e não um filme pornográfico, pois naqueles anos ainda não existia este gênero de filme no Brasil.

O filme de origem francesa de 84 minutos, com o título original de "Mademoiselle Strip-Tease", dirigido por Pierre Foucaud, ficaria em cartaz por alguns dias na cidade, como era sempre de costume, já que a cidade dispunha de poucos habitantes e, por isto, era impossível um tempo maior.

O cinema só não contava com uma coisa: a reação moralista de boa parte das senhoras canavieirenses que, ao verem os desenhos na entrada do cinema se sentiram ofendidas e resolveram agir para que os cartazes fossem retirados do saguão do cinema.

Elas conseguiram, pois diversas autoridades da cidade foram envolvidas na questão moralista e contribuíram para este desfecho. Só uma pacata cidade do interior sabe o real valor da moral para que os bons costumes prevaleçam na sociedade. 


Nesta Esquina Funcionou o Cine Gloria,o Melhor Cinema de
Canavieiras, Do Belo Prédio Só Restou as Portas e as Paredes
 do Térreo - Foto de Regis Silbar