quarta-feira, 19 de abril de 2017

Por Que São Tão Caros os Hotéis em Canavieiras?

Praia da Costa - Ilha de Atalaia - Canavieiras-BA
 - Foto de Regis Silbar

Embora Canavieiras, a Princesinha do Sul, seja uma cidade extremamente simpática, os hotéis e pousadas não o são por diversos motivos, sendo o principal, os preços muito elevados cobrados pelas diárias, muito superiores aos cobrados em outras cidades turísticas, espantando os turistas mais zelosos com o seu dinheiro.

Não há razão para que as diárias sejam tão caras, superiores até a de grandes capitais para acomodações semelhantes. Vejamos: a mão de obra na cidade é muito mais barata que em outras cidades turísticas em razão do excesso de mão de obra, inclusive a qualificada, haja visto que há, na cidade, uma escola voltada para a formação de mão de obra voltada para ao turismo.

O preço de terrenos e as locações de imóveis na cidade são muito baratos, não justificando, assim, a desculpa de que as diárias são elevadas em razão das despesas havidas com a implantação do empreendimento ou pelo custo de oportunidade.

Se o café da manhã estiver incluso no preços das diárias, o preço cobrado também não se justifica, já que os preços dos itens que compõem a primeira refeição, em Canavieiras, são muito mais baratos do que em muitas outras cidades, principalmente no que diz respeito ao pão, menos da metade do preço cobrado no Rio de Janeiro. Mas não é somente isto, as frutas são também muito mais em conta, sendo a banana da terra, que pode ser servida cozida na primeira refeição, menos de um terço do valor de outras cidades do sul e sudeste do país.

A única coisa que justifica os preços praticados é aquela máxima que todo brasileiro conhece muito bem: o baiano é preguiçoso e não gosta de trabalhar.  - Pra que receber dois turistas se eu posso ganhar o mesmo com um só, não é meu rei? Mas só que se o preço fosse um preço justo, não seria dois, seria três, talvez quatro, já que o preço praticado honestamente é divulgado de boca em boca e, cada vez mais chama outros turistas e, mais turistas é mais dinheiro também.

Então vejamos, por que uma cidade com insumos tão baratos cobram diárias tão caras? Só a ganância explica tal situação, pois pela lógica não tem explicação, inclusive porque os hotéis e pousadas estão sempre com capacidade ociosa, esperando clientes que nunca chegam, pois eles darão sempre preferência a Guarapari, Porto Seguro e outra cidades que praticam um preço de acordo com a razão.

Quando você for a Canavieiras não deixe de pesquisar e barganhar o preço dos hotéis e pousadas pois, embora seja difícil, você poderá achar alguém que queira negociar o preço de sua estadia. Boa Sorte.

     

terça-feira, 4 de abril de 2017

A Feirinha do Cais do Porto às Margens do Rio Pardo em Canavieiras

A Feirinha do Cais  do  Porto às Margens do Rio
Pardo em Canavieiras no Início da Década de 90

Antigamente, nas décadas de cinquenta e de sessenta do século passado, a feirinha do Cais do Porto, em Canavieiras, estava no seu auge, ali era o local onde toda a população se concentrava para comprar os produtos frescos que não eram vendidos nos armazéns de secos e molhados da cidade.

Ali eram vendidos caranguejos, peixes, bijus, hortaliças, frutas de época e verduras. Era tudo fresquinho e, por isto, a freguesia era sempre grande, com todos querendo comprar os seus artigos necessários.

Essa feirinha floresceu durante muito tempo, mas, com o passar dos anos e com o surgimento dos primeiros supermercados, a feirinha foi se tornando menos necessária e, assim, ela foi diminuindo de tamanho até finalmente acabar. A foto acima, do início da década de noventa do século passado, era de quando a feirinha já estava em seus últimos anos de existência.

O Início da Rua do Mangue em Canavieiras em 1914 e em 2017

Início da Rua do Mangue, Atual Rua Rui Barbosa,
  em Canavieiras em 1914
 

As ruas, através do tempo, se modificam e se transformam, ficando diferentes do que eram antes, às vezes para melhor, às vezes para pior, mas às vezes se modificam tanto que ficam irreconhecíveis e mesmo se compararmos as fotografias do antes e depois é difícil de reconhecê-las.

É o caso da Rua do Mangue, atual Rua Rui Barbosa que, no passado, era uma rua bela, com casarões solenes e majestosos, com arquitetura digna de abrilhantar a paisagem qualquer cidade.

Hoje, o início da Rua do Brejo é um lixo arquitetônico, com construções que desprezam o bom gosto e mergulha na escuridão a bela paisagem que era tão admirada no passado.

Como pode ter havido uma deterioração arquitetônica tão grande em um dos locais mais aprazíveis da cidade? A resposta é simples: os novos moradores são pessoas que não tiveram meios de contratar arquitetos para terem uma bonita moradia no mesmo nível que a cem anos atrás, quando a cidade era regada com o dinheiro fácil do cacau e dos diamantes do Rio Salobro.

No entanto, não se justifica que os prédios atualmente construídos sejam de tão baixo padrão arquitetônico, quase do mesmo nível que o de um construído em uma comunidade carente do Rio de Janeiro ou São Paulo.   


Início da Rua do Mangue, Atual Rua Rui Barbosa,
 em Canavieiras em 1917


terça-feira, 28 de março de 2017

A Antiga Ponte Sobre o Rio Cipó em Canavieiras

Ponte de São Boaventura Sobre o Rio Cipó em
Canavieiras - Foto de Arquivo Pessoal

A cidade de Canavieiras, onde foi plantado o primeiro pé de cacau da Bahia, está localizada em uma ilha fluvial, a Ilha de Canavieiras, envolta pelos rios Pardo, Cipó e Patipe, todos de águas não poluídas, deixando a cidade sem comunicação terrestre contínua com o continente, a não ser que seja através de uma ponte, e essa ponte foi construída sobre o Rio Cipó, permitindo, assim, que a cidade se comunicasse com o continente sem o uso de embarcações.

Primeiramente esta ponte foi construída de madeira, recebendo o nome de Ponte São Boaventura, servindo durante muitos anos como meio de comunicação da Ilha de Canavieiras com o continente. Essa ponte era muito resistente, permitindo a passagem, de uma só vez, de diversos veículos pesados como caminhões.

Ela foi inaugurada como parte das festividades do 62º aniversário da emancipação da cidade e media noventa e sete metros de comprimento e quatro metros de largura e foi totalmente construída em madeira de lei.

Depois de muitos anos de uso essa ponte foi substituída por outra construída em concreto que vem resistindo até hoje, servindo, inclusive, como parte da estrada BA-001, que liga a cidade de Canavieiras à cidade de Ilhéus.   

quarta-feira, 15 de março de 2017

As Ruínas "Art Déco" de Canavieiras - Um Tesouro Quase Perdido

Ruínas  do  Antigo  Instituto  do  Cacau  da  Bahia
Construído  em  Estilo  "Art Déco" - Canavieiras -
Foto de Regis Silbar

É uma pena, mas as construções em estilo "Art Déco" da cidade de Canavieiras, a mais bela do sul da Bahia, estão sendo completamente destruídas, tanto pela ação do tempo, como também pela falta de apoio dos poderes públicos à sua preservação.

Sendo este tipo de arquitetura típico dos anos vinte e trinta do século passado, é de se estranhar que tenha sido tão usado em Canavieiras, uma pequena cidade tão longe dos grandes centros onde esta moda estava sendo plenamente usada.

Mas, Canavieiras, nestes anos de ouro da fase da arquitetura "Art Déco", estava substituindo as antigas construções, por outras mais novas, e então, foi adotado, o estilo então vigente na Europa e Estados Unidos.

Com o passar dos anos, face à ruína das plantações de cacau ocasionadas  pelo fungo denominado Vassoura de Bruxa,  a cidade entrou em decadência e, junto com ela, as antigas construções em estilo "Art Déco".

Hoje em dia, com o desenvolvimento da atividade turística, várias destas antigas construções estão sendo recuperadas, mas a maior parte ainda continua entregue a sua própria sorte.
Casa em Ruínas em Estilo "Art Déco" na Rua do Brejo
 (Atual General Pederneiras) - Canavieiras-BA - Foto
de Regis Silbar  
Ponte do Lloyd no Rio Pardo ao Entardecer - Sítio
 Histórico - Canavieiras - Foto de Regis Silbar 

A Ponte do Lloyd, no Rio Pardo, em Canavieiras, é uma festa ao entardecer. Grupos de jovens se reúnem em toda a sua extensão para apreciar a paisagem e, principalmente, para observar os mergulhos, feitos a partir da ponte, por outros jovens que ali também se reúnem para a prática deste esporte.

Ao seu redor, muitos turistas também se reúnem para participar, um pouco mais ao longe, destes acontecimentos que já se tornou uma tradição nos finais de tarde da cidade.

Além do mais, da Ponte do Lloyd, o Rio Pardo pode ser visto em toda a sua plenitude e, se tiver um pouco mais de sorte, poderá ver os golfinhos que povoam o se abrigam nas suas águas azuis.

Quando você for a Canavieiras, não deixe de conhecer a Ponte do Lloyd, no Centro Histórico da cidade. Era ali que os navios do Lloyd Brasileiro atracavam quando aportavam no Porto Grande, o porto de Canavieiras.

segunda-feira, 13 de março de 2017

A Festa de São Sebastião na Praça da Capelinha em Canavieiras


Estandarte em Homenagem a São Sebastião na festa
 da  Praça  da  Capelinha  em  Canavieiras - Início da
Década de Noventa do Século XX 

Sendo São Sebastião o santo mais popular de Canavieiras, ele teve, desde os primórdios da cidade, uma das mais bonitas e animadas festas, reunindo, em um só lugar, um grande número de pessoas. Esse lugar era, e ainda continua sendo, a Praça da Capelinha, onde se situa a Capela da Sagrada Família.

Esta festa, antigamente, começava com a chegada do Mastro de São Sebastião à Praça da Capelinha. O mastro vinha do Cais do Porto e desfilava pela cidade, carregada pelos fieis até chegar ao seu local de destino: a Praça da Capelinha em frente à Capela da Sagrada Família. Atualmente, o mastro ainda continua a ter o mesmo trajeto.

São Sebastião também era festejado com danças típicas entre as quais o Bumba meu Boi, onde um homem era coberto com uma estrutura em forma de boi e dançava freneticamente, dando chifradas no ar, acompanhado de mocinhas com trajes específicos para a dança, que cantavam e dançavam acompanhando o som da música que tocava sem parar.

Na praça não parava de circular pessoas. Grupos de mocinhas se encontravam com grupos de rapazes e os olhares matreiros se entrelaçavam dando margem a um futuro relacionamento.

Nas barraquinhas as pessoas se aglomeravam para comprar e comer gulodices. Tinham barracas que vendiam roletes de canas, cachos de mané velho (frutos da palmeira tucum) e outra delícias regionais variadas.

Em outras barraquinhas a atividade era outra: o jogo. A principal modalidade era a roleta, com apostas em dinheiro, onde quem sempre lucrava era o dono da banca. Quem ganhava, ganhava pouco dinheiro, quem perdia, perdia muito dinheiro.

Com o passar dos anos a festa foi se raquitizando, perdendo pouco a pouco os seus atrativos principais e, hoje, na segunda década do século XXI, pouco resta daquela magnífica festa que tanto encantava os canavieirenses.

Os motivos são muitos, mas os dois principais foram os programas e as novelas de televisão, que naquele tempo não existiam, pelo menos em Canavieiras, e o crescimento da violência, por falta de leis mais justas neste país.


Dançarinas Folclóricas do Bumba-Meu-Boi na Festa
 da Capelinha em Canavieiras no Início da Década de
Noventa do Século XX